terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Trabalho de Humanismo e Cultura Religiosa - ENSAIOS UNIVERSITÁRIOS

1.    Ao nos depararmos com os atuais contextos históricos e culturais, percebemos a grande problemática existente no  que diz respeito ao desenvolvimento de determinadas possibilidades humanas. Em outras palavras: certas realidades que tornam inviáveis um saudável desenvolvimento humano na sua integralidade . Para fins de um maior aprofundamento da compreensão acerca do atual contexto histórico e cultural, fazemos a seguir um apontamento de realidades concernentes ao mesmo.
Algo muito latente em nosso tempo é o individualismo crescente e cada vez mais radicado na vida das pessoas. A partilha e a fraternidade já são realidades que não perfazem o rotineiro. O comum hoje é aquele pensamento categórico, perfeitamente ilustrativo da situação de individualismo: “cada um cuida da sua vidinha, eu faço o que quero e os outros que se virem”. Fazer o que se quer fazer, sem a preocupação com o outro, determina, também, o egocentrismo, uma busca exacerbada pelo que satisfaz o ego. Exemplo disso é a instrumentalização ou “coisificação” do outro, reduzir o outro a um objeto de prazer.
O relativismo, resultado do pluralismo de “verdades” ou “pseudo-verdades” bem como do indiferentismo,  também impede a possibilidade de um desenvolvimento de convicções. Diante do plural, já não se encontram motivações para a busca da Verdade, esta se torna também relativa. Além da pretensão de relativizar a Verdade, o relativismo equipara quaisquer situações: “Tudo é bom. Essa verdade é boa, mas poderia ser outra que seria igualmente boa”.
Outro processo altamente característico de nossos tempos é o processo de aceleração da evolução tecnológica, sobretudo o desenvolvimento e a necessidade da internet, entendida  – equivocadamente – como  meio quase que primordial das  relações. Com efeito, logo que conhecemos uma pessoa e estabelecemos certa amizade, solicitamos o seu endereço  de email ou perguntamos se ela faz parte de alguma rede de relacionamentos.  Uma  influência negativa que se pode citar no que diz respeito à vida do ser humano é que oferecendo a todos uma comodidade sempre mais crescente, possa favorecer uma certa frieza em se tratando dos relacionamentos humanos como tal, a proximidade física, etc.
Algo que influencia tenazmente na vida das pessoas e que se verifica sobretudo nas grandes cidades é a questão econômica, de modo particular os grandes contrastes existentes entre ricos muito ricos e pobres muito pobres, miseráveis.
Deparamo-nos, também, com as catástrofes naturais oriundas do aquecimento global e da depredação do meio ambiente, sempre mais comuns, e sua influência no que diz respeito à adaptação necessária a toda a sociedade (no que se refere tanto à localização geográfica onde mais costumeiramente se dão as catástrofes,  quanto à construção civil que necessita repensar certas estruturas para evitar danos demasiado grandes).
Outra realidade a ser apontada é, indubitavelmente, o gradativo aumento do descomprometimento ético e moral, verificado na intensa e precoce erotização, provinda do “obscurecimento e falsificação do verdadeiro sentido da sexualidade humana”. Isto resulta naquela, já referida por muitos, sociedade hedonista que não se preocupa com o ensino de valores e princípios.
Por fim, há de se dizer que existem inúmeros fatores que nos nossos tempos acabam por não possibilitar um desenvolvimento humano no sentido do termo.  Isto por que humanidade supõe racionalidade, supõe inteligência. Precisamos, portanto, apelar à humanidade dos indivíduos da sociedade. Contrariamente do que muitos pensam não somos apenas um produto da sociedade, uma mera consequencia do período histórico-cultural. Podemos fazer a diferença, usando de nossa racionalidade para modificar as realidades não favoráveis e abrindo as portas para um novo horizonte de possibilidades humanas.

2. Para responder sinteteticamente ao que se propõe sobre uma visão para além das Visões Reducionistas e/ou Pessimistas, precisamos compreender o ser humano diferentemente daquela visão niilista que chega a afirmar que o ser humano é um nada. Concordamos que se comparado às proporções do cosmos ele possa sim ser tido como ser insignificante, mas a diferença aqui consiste na sua transcendência. O ser humano transcende a si próprio. A razão lhe possibilita isso. A filosofia científica considera o ser  humano um animal racional, político, religioso, cultural/linguístico, ludo. Talvez isso resuma adequadamente o ser humano, para dar uma visão mais geral e não ramificada (ou sob uma só visão de ser humano).

3. Sabendo das diversas Visões de Homem, bem como conhecendo o atual contexto histórico-cultural que vivo, consigo perceber efetivamente a complexidade do ser humano nas suas questões. Este ser humano é multifacetário e evidentemente nao poderia ser diferente. Talvez aí resida a beleza: na diversidade de realidades que, apesar dos problemas nelas constantes, não tornam o essencial do ser humano menos belo ou importante. Talvez algumas situações manhcem sua dignidade ou distorçam suas proporcionalidades, porém tanto mais belo é  o centro, a essência, a admirável capacidade de contornar problemas complexos tais como os que neste trabalho citei. Aspiro no futuro ser sacerdote para Deus a serviço do Homem. Isto é algo grandioso e se relaciona intrínsecamente com a disciplina de Humanismo e Cultura Religiosa. Com efeito há validade no jargão: “primeiro o homem depois o santo”. Para finalizar todo este esmerado trabalho de apresentação de dados e detecção de realidades, quero valer-me de algumas considerações. No que diz respeito ao campo religioso: Hoje temos novos “ídolos”, ou como dizia o Papa Bento XVI na entrevista a Petter Seewald, há um florescimento de um “novo paganismo”. É o ateísmo prático existente na vida de um grande contingente de pessoas, uma não abertura, ou mesmo indiferença, para com o Transcendente. Talvez esse seja um dos grandes motivos das mesquinharias e tolices oriundas de tantas realidades, algumas das quais citadas neste trabalho. Já não se busca o Transcendente, a Verdade. Hoje, a Verdade e o Transcendente se reduzem a si e aos gostos e satisfações pessoais. Quanto à cultura, uma dica importante: há de se adquirir para nós que somos estudantes de filosofia e, de modo particular, alunos de Humanismo e Cultura Religiosa, um comprometimento na construção de uma cultura de justiça e paz, corrigindo as possíveis falhas de nossa sociedade e difundindo os seus valores e virtudes, deixando-os de herança para as novas gerações. Por fim, quanto ao Mercado de Trabalho, não se pode fechar os olhos para atual situação de concorrência nele existente. A sociedade quer exemplares imbatíveis. No Mercado de Trabalho, subsistem apenas os melhores, os mais competentes. Esta é a mentalidade subjacente em toda sociedade. Por isso,  se queremos ter voz e vez na sociedade, necessitamos transormá-la a partir de nós com uma competência não pouco desafiadora e utilizando dos meios oportunos para difundir valores que fomentem o desejo de uma construção de uma sociedade guiada  à luz do verdadeiro interesse comum, do benefício de todos e não somente de partes isoladas.

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