terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Exercício pré-filosófico

O trabalho a seguir é uma singela compreensão que, diga-se de passagem, antes de ter o mínimo conhecimento filosófico, apresentei ao formador do Seminário Maria Mater Ecclesiae em Itapecerica da Serra/SP, após a leitura do livro "Jesus Cristo" de Karl Adam, por ocasião das aulas de introdução à Cristologia.





INTRODUÇÃO

Esse trabalho tem como objetivo o conhecimento mais aprofundado da pessoa do Salvador, Jesus Cristo, que se nos deu a conhecer através de sua encarnação e, mais precisamente, pela sua Ressurreição. Quando olhamos a vida de Jesus, sentimo-nos impulsionados em entendê-lo cada vez mais. Esse conhecimento requer a observação de nossas próprias experiências de vida que facilmente podem ser comparadas às muitas de suas pregações, ensinamentos e testemunhos. Daí parte, portanto, o interesse em conhecer tão admirável sabedoria. Afinal, o que levaria um homem a ter pleno entendimento das coisas da vida, bem como seus conselhos que, se aplicados à vida prática nos levam a uma admirável vivência em muitos aspectos?
“Jesus de Nazaré - diriam estudiosos - é conhecido pelos seus grandes feitos em nosso meio. De fato, suas palavras remetem a um conhecimento raramente atribuído a um ser humano comum. Por isso que podemos considerá-lo sábio”.  Com um olhar um tanto mais aprofundado e levando em consideração a fé, buscaremos defender a tese de que Jesus verdadeiramente é o Filho de Deus e que a sua sabedoria não provinha meramente dos conhecimentos humanos, mas sim, de sua união com o Pai, sendo a segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
Muitas foram as pessoas que buscaram conhece-Lo mais através dos estudos e da vida de fé. Esse trabalho quer ser mais uma motivação de conhecimento da pessoa de Jesus, bem como de seus ensinamentos. Talvez pareça evidente a influência da fé sobre o trabalho e de fato o é. Diversas vezes usaremos a Sagrada Escritura como fonte de pesquisa e como prova da evidente Sabedoria do Mestre relatada na mesma.


                       CITAÇÕES BÍBLICAS QUE DEMONSTRAM A SABEDORIA DE JESUS:


Ao apresentarmos a Sagrada Escritura como fonte de pesquisa e como fonte de comprovação da evidente sabedoria de Cristo, não queremos reunir credibilidades científicas das quais já sabemos a existência. Pelo contrário, queremos demonstrar a nossa fé na Sabedoria divina de Jesus a partir de um mero apanhado de palavras atribuídas a Ele nos Evangelhos. Só nessas simples colocações perceberemos as muitas colocações de Jesus frente a casos quase que perdidos. “Arapucas” preparadas para o Mestre são por Ele facilmente desfeitas. Mas como se dá isso? A única explicação é essa: sua sabedoria provém de seu Pai que o enviou como causa de espanto para muitos “mestres da lei e fariseus hipócritas”.
Jesus Cristo foi líder por que foi sábio. Ao estudarmos sociologia, veremos ao longo da matéria que tal liderança pode ser própria (que é da própria pessoa) ou atribuída (cargo de liderança atribuída a uma pessoa). Jesus, como podemos imaginar, é um caso de liderança própria. De fato, antes mesmo que Ele nascesse, já lhe era própria, ou própria do Salvador, a tarefa de remir os pecados. Vejamos o que nos diz o Evangelho de Mateus a esse respeito (Mt 2, 6): “E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre os clãs de Judá pois de ti sairá um chefe que apascentará Israel, o meu povo”. Ora, de fato, para exercer liderança de tal importância, é necessária uma sabedoria de grau muito elevado.
A seguir outras passagens que aludem à Sabedoria de Jesus:

Jesus, no deserto, usa de uma sabedoria incrível ao responder às colocações feitas por Satanás. É a Sabedoria de Deus que age nele, embora a sua humanidade por vezes lhe diga o contrário. Jesus não se deixa levar pelas ciladas do diabo. Ele sabe o que não é de Deus!
Mt 4, 1-11: “Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Por quarenta dias e quarenta noites esteve jejuando. Depois teve fome. Então, aproximando-se o tentador, disse-lhe, “Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”. Mas Jesus respondeu: “ Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”.
Então, o diabo o levou à Cidade  Santa e o colocou sobre o pináculo do Templo e disse-lhe: “Se és o Filho de Deus, atira-te para baixo, por que está escrito: “Ele dará ordem a seus anjos a teu respeito, e eles te tomarão pelas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra”.
Respondeu-lhe Jesus: “ Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus”.
Tornou o diabo a levá-lo, agora para um monte muito alto. E mostrou-lhe todos os reinos do mundo com o seu esplendor e disse-lhe: “Tudo te darei, se, prostrado me adorares”. Aí Jesus lhe disse: “Vai-te, Satanás, por que está escrito: “Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele prestarás culto”.
Com isso, o diabo o deixou. E os anjos de Deus se aproximaram e puseram-se a servi-lo”.
Bem aventuranças, sinal da Sabedoria divina de Jesus:
Mt 5, 3-12 : “Felizes os pobres no espírito porque deles é o Reino dos Céus. Felizes os mansos porque herdarão a terra. Felizes os aflitos, porque serão consolados. Felizes os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Felizes sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós”.
As palavras de Jesus são superiores às dos escribas:
Mt 7, 28-29 :  “Aconteceu que ao terminar Jesus essas palavras, as multidões ficaram extasiadas com seu ensinamento, porque as ensinava com autoridade e não como os escribas”.
Mt 11, 19: “A Sabedoria é justificada pelas obras”.
Jesus por diversas vezes falou também em parábolas. Mais um modo de demonstrar conhecimento, sabedoria. O que mais chama atenção nessas parábolas é a coerência como comparação à vida prática. Além, é claro, da estruturação das parábolas, pois, de fato, podemos compreendê-las e isso torna mais fácil o entendimento da proposta de Deus como tal.
Mt 13, 53-56: “Quando Jesus acabou de contar essas parábolas, partiu dali e, dirigindo-se para a sua pátria, pôs-se a ensinar as pessoas que estavam na sinagoga, de tal sorte que elas se maravilhavam e diziam: “De onde lhe vêm essa Sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Não se chama a mãe dele Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem todas entre nós? Donde então lhe vem todas essas coisas”.

Sabedoria de Jesus inclusive nos relacionamentos pessoais. (Dicas do Mestre):
Mt 18, 15-17: “Se o teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós. Se ele te ouvir, ganhaste o teu irmão. Se não te ouvir, porém, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda questão seja decidida pela palavra de duas ou três testemunhas.
Caso não lhes der ouvidos, dizei-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como o gentio ou o publicano”.
 A sabedoria de Jesus, provinha também das sagradas escrituras das quais tinha pleno conhecimento:
Mt 21-42: “Disse Jesus: ‘que pensais a respeito do Cristo? Ele é filho de quem?’ Responderam-lhe: “de Davi”. Ao que Jesus lhes disse: “Como então Davi, falando sob inspiração, lhe chama Senhor, ao dizer: O Senhor disse ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo de teus pés?”.

Quanto aos discípulos de Jesus, sabemos que por diversas vezes os exortou de modo a torná-los mais santos e mais abertos.
Eis algumas correções da parte de Jesus quando seus discípulos erravam ou equivocavam-se:
(Lc 9, 46-48): “Houve entre eles uma discussão: qual deles seria o maior? Jesus, porém, conhecendo o pensamento de seus corações, tomou uma criança, colocou-a a seu lado e disse-lhes: ‘Aquele que receber uma criança como esta por causa do meu nome, recebe a mim, e aquele que me receber recebe aquele que me enviou; com efeito, aquele que no vosso meio for o menor, esse será grande’”.

(Mc 10, 14-15): “Vendo isso, Jesus ficou indignado e disse: “Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus. Em verdade vos digo: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, na entrará nele”.

Em outros momentos, também quando fala aos discípulos através de sua magna sabedoria, Jesus pede que eles observem a realidade:

 (Mc 8, 27-29): “Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesaréia de Filipe, e no caminho, perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” Eles responderam:”João Batista”; outros, Elias; outros ainda, um dos profetas”. “– E vós, perguntou ele, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Cristo”.

(Jo 4, 35): “Não dizeis vós: ‘Ainda quatro meses para a colheita?’ Pois bem, eu vos digo: Erguei vossos olhos e vede os campos: estão brancos para a colheita”.

(Mt 16, 1-3): “Os fariseus e saduceus vieram até ele e pediram-lhe, para pô-lo à prova, que lhes mostrasse um sinal vindo do céu. Mas Jesus lhe respondeu: ‘Ao entardecer dizeis: ‘Vai fazer bom tempo, porque o céu está avermelhado; e de manhã: Hoje teremos tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. O aspecto do céu,sabeis interpretar, mas os sinais dos tempos, não sois capazes!”.

É Jesus também que na sua imensa sabedoria, defende os discípulos quando são criticados.
(Mc 2, 18-19; 7, 5-13): “Os discípulos de João e os fariseus jejuavam, e vieram dizer-lhe: ‘Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e teus discípulos não jejuam?’ Jesus respondeu: ‘Podem os amigos do noivo jejuar enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo estiver com eles, não podem jejuar’”. (...)
“Os fariseus e os escribas o interrogaram: ‘Por que não se comportam os teus discípulos segundo a tradição dos antigos, mas comem o pão com mão impuras?’ ele lhes respondeu: ‘Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Em vão me prestam culto; as doutrinas que ensinam são apenas mandamentos humanos. Abandonais o mandamento de Deus, apegando-vos à tradição dos homens’. E dizia-lhes: ‘Sabeis muito bem desprezar o mandamento de Deus para observar a vossa tradição. Com efeito, Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe, e: Aquele que amaldiçoar pai ou mãe certamente deve morrer. Vós, porém, dizeis: ‘Se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: os bens com que eu poderia te ajudar são: Corban, isto é, oferta sagrada – vós não o deixareis fazer mais nada por seu pai ou por sua mãe. Assim, invalidais a Palavra de Deus pela tradição que transmitistes. E fazeis muitas outras coisas desse gênero’”.
Pudemos perceber claramente que Jesus sabia dialogar com aqueles que se diziam sábios e entendidos. Dessa forma, manifestou que sua sabedoria superava em quantidade e qualidade à sabedoria meramente humana. Sem sombra de dúvida, podemos afirmar que a sabedoria que Jesus possuía provinha de seu Pai e que todas as vezes que respondia, procurava a força do Espírito que nele habitava. O sucesso de seus ensinamentos, por vezes misteriosos, são ainda hoje estudados, meditados, desvendados e, em muitos casos, vivenciados. Pessoas de todas as partes do mundo confiam nas palavras de Jesus para buscar um sentido para suas vidas. Como o próprio João relata ao final de seu evangelho dizendo que Jesus fez muito mais e que (assim penso eu) sua sabedoria é superior a de qualquer ser humano. “Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e foi quem as escreveu: e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez. Se fossem escritas uma por uma, creio que o mundo não poderia conter os livros que se escreveriam”. (Jo 21, 24-25). Deus se vale de sinais. Jesus é o mais perfeito elo entre o ser humano e Deus. É o mais vivo e intenso sinal do amor divino por nós, isto é, é a sabedoria viva e presente no meio de nós até os dias de hoje, segundo aquilo que nos prometeu.


 Frases do livro Jesus Cristo de Karl Adam:


“Na realidade, achamos nEle um homem único, que não se pode comparar a outras figuras da história na tentativa de compreende-lo. Só se explica e compreende por si próprio”.
“Pelo contrário, Jesus vê os homens tais como são, com as suas contradições e fraquezas. Chama-os ‘raça má e adúltera’”.
Estas frases remetem a um maior conhecimento do Mestre naquilo que diz respeito à sua sabedoria. Duas características a destacar: Jesus é incomparável e onisciente, ou seja, nenhum ser humano se pode ser comparado ao Mestre e nenhum ser humano possui tamanho conhecimento dos outros e de si mesmo como o conhecia Jesus.

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