INTRODUÇÃO
Esse trabalho tem como objetivo o conhecimento mais aprofundado da pessoa
do Salvador, Jesus Cristo, que se nos deu a conhecer através de sua encarnação
e, mais precisamente, pela sua Ressurreição. Quando olhamos a vida de Jesus,
sentimo-nos impulsionados em entendê-lo cada vez mais. Esse conhecimento requer
a observação de nossas próprias experiências de vida que facilmente podem ser
comparadas às muitas de suas pregações, ensinamentos e testemunhos. Daí parte,
portanto, o interesse em conhecer tão admirável sabedoria. Afinal, o que
levaria um homem a ter pleno entendimento das coisas da vida, bem como seus
conselhos que, se aplicados à vida prática nos levam a uma admirável vivência
em muitos aspectos?
“Jesus de Nazaré - diriam estudiosos - é conhecido pelos seus grandes
feitos em nosso meio. De fato, suas palavras remetem a um conhecimento
raramente atribuído a um ser humano comum. Por isso que podemos considerá-lo
sábio”. Com um olhar um tanto mais
aprofundado e levando em consideração a fé, buscaremos defender a tese de que
Jesus verdadeiramente é o Filho de Deus e que a sua sabedoria não provinha
meramente dos conhecimentos humanos, mas sim, de sua união com o Pai, sendo a
segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
Muitas foram as pessoas que buscaram conhece-Lo mais através dos estudos
e da vida de fé. Esse trabalho quer ser mais uma motivação de conhecimento da
pessoa de Jesus, bem como de seus ensinamentos. Talvez pareça evidente a
influência da fé sobre o trabalho e de fato o é. Diversas vezes usaremos a
Sagrada Escritura como fonte de pesquisa e como prova da evidente Sabedoria do
Mestre relatada na mesma.
CITAÇÕES
BÍBLICAS QUE DEMONSTRAM A SABEDORIA DE JESUS:
Ao apresentarmos a Sagrada Escritura como fonte de pesquisa e como fonte
de comprovação da evidente sabedoria de Cristo, não queremos reunir
credibilidades científicas das quais já sabemos a existência. Pelo contrário,
queremos demonstrar a nossa fé na Sabedoria divina de Jesus a partir de um mero
apanhado de palavras atribuídas a Ele nos Evangelhos. Só nessas simples
colocações perceberemos as muitas colocações de Jesus frente a casos quase que
perdidos. “Arapucas” preparadas para o Mestre são por Ele facilmente desfeitas.
Mas como se dá isso? A única explicação é essa: sua sabedoria provém de seu Pai
que o enviou como causa de espanto para muitos “mestres da lei e fariseus
hipócritas”.
Jesus Cristo foi líder por que foi sábio. Ao estudarmos sociologia,
veremos ao longo da matéria que tal liderança pode ser própria (que é da
própria pessoa) ou atribuída (cargo de liderança atribuída a uma pessoa).
Jesus, como podemos imaginar, é um caso de liderança própria. De fato, antes
mesmo que Ele nascesse, já lhe era própria, ou própria do Salvador, a tarefa de
remir os pecados. Vejamos o que nos diz o Evangelho de Mateus a esse respeito
(Mt 2, 6): “E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre os clãs
de Judá pois de ti sairá um chefe que apascentará Israel, o meu povo”. Ora, de
fato, para exercer liderança de tal importância, é necessária uma sabedoria de
grau muito elevado.
A seguir outras passagens que aludem à
Sabedoria de Jesus:
Jesus, no deserto, usa de uma
sabedoria incrível ao responder às colocações feitas por Satanás. É a Sabedoria
de Deus que age nele, embora a sua humanidade por vezes lhe diga o contrário.
Jesus não se deixa levar pelas ciladas do diabo. Ele sabe o que não é de Deus!
Mt 4, 1-11: “Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado
pelo diabo. Por quarenta dias e quarenta noites esteve jejuando. Depois teve
fome. Então, aproximando-se o tentador, disse-lhe, “Se és o Filho de Deus,
manda que estas pedras se transformem em pães”. Mas Jesus respondeu: “ Está
escrito: Não só de pão vive o homem, mas
de toda palavra que sai da boca de Deus”.
Então, o diabo o levou à Cidade
Santa e o colocou sobre o pináculo do Templo e disse-lhe: “Se és o Filho
de Deus, atira-te para baixo, por que está escrito: “Ele dará ordem a seus anjos a teu respeito, e eles te tomarão pelas
mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra”.
Respondeu-lhe Jesus: “ Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus”.
Tornou o diabo a levá-lo, agora para um monte muito alto. E mostrou-lhe
todos os reinos do mundo com o seu esplendor e disse-lhe: “Tudo te darei, se,
prostrado me adorares”. Aí Jesus lhe disse: “Vai-te, Satanás, por que está
escrito: “Ao Senhor teu Deus adorarás e
só a Ele prestarás culto”.
Com isso, o diabo o deixou. E os anjos de Deus se aproximaram e
puseram-se a servi-lo”.
Bem aventuranças, sinal da
Sabedoria divina de Jesus:
Mt 5, 3-12 : “Felizes os pobres no espírito porque deles é o Reino dos
Céus. Felizes os mansos porque herdarão a terra. Felizes os aflitos, porque serão
consolados. Felizes os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Felizes os puros de
coração, porque verão a Deus. Felizes os que promovem a paz, porque serão
chamados filhos de Deus. Felizes os que são perseguidos por causa da justiça,
porque deles é o Reino dos Céus. Felizes sois, quando vos injuriarem e vos
perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus,
pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós”.
As palavras de Jesus são
superiores às dos escribas:
Mt 7, 28-29 : “Aconteceu que ao
terminar Jesus essas palavras, as multidões ficaram extasiadas com seu ensinamento,
porque as ensinava com autoridade e não como os escribas”.
Mt 11, 19: “A Sabedoria é justificada pelas obras”.
Jesus por diversas vezes falou
também em parábolas.
Mais um modo de demonstrar conhecimento, sabedoria. O que
mais chama atenção nessas parábolas é a coerência como comparação à vida
prática. Além, é claro, da estruturação das parábolas, pois, de fato, podemos
compreendê-las e isso torna mais fácil o entendimento da proposta de Deus como
tal.
Mt 13, 53-56: “Quando Jesus acabou de contar essas parábolas, partiu dali
e, dirigindo-se para a sua pátria, pôs-se a ensinar as pessoas que estavam na
sinagoga, de tal sorte que elas se maravilhavam e diziam: “De onde lhe vêm essa
Sabedoria
e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Não se chama a mãe dele
Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem
todas entre nós? Donde então lhe vem todas essas coisas”.
Sabedoria de Jesus inclusive nos
relacionamentos pessoais. (Dicas do Mestre):
Mt 18, 15-17: “Se o teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós. Se ele te
ouvir, ganhaste o teu irmão. Se não te ouvir, porém, toma contigo mais uma ou
duas pessoas, para que toda questão seja decidida pela palavra de duas ou três
testemunhas.
Caso não lhes der ouvidos, dizei-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja der
ouvido, trata-o como o gentio ou o publicano”.
A sabedoria de Jesus, provinha também das sagradas escrituras das quais
tinha pleno conhecimento:
Mt 21-42: “Disse Jesus: ‘que pensais a respeito do Cristo? Ele é filho de
quem?’ Responderam-lhe: “de Davi”. Ao que Jesus lhes disse: “Como então Davi,
falando sob inspiração, lhe chama Senhor, ao dizer: O Senhor disse ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu
ponha os teus inimigos debaixo de teus pés?”.
Quanto aos discípulos de Jesus,
sabemos que por diversas vezes os exortou de modo a torná-los mais santos e
mais abertos.
Eis algumas correções da parte de
Jesus quando seus discípulos erravam ou equivocavam-se:
(Lc 9, 46-48): “Houve entre eles uma discussão: qual deles seria o maior?
Jesus, porém, conhecendo o pensamento de seus corações, tomou uma criança,
colocou-a a seu lado e disse-lhes: ‘Aquele que receber uma criança como esta
por causa do meu nome, recebe a mim, e aquele que me receber recebe aquele que
me enviou; com efeito, aquele que no vosso meio for o menor, esse será
grande’”.
(Mc 10, 14-15): “Vendo isso, Jesus ficou indignado e disse: “Deixai as
crianças virem a mim. Não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus. Em verdade
vos digo: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, na entrará
nele”.
Em outros momentos, também quando
fala aos discípulos através de sua magna sabedoria, Jesus pede que eles
observem a realidade:
(Mc 8, 27-29): “Jesus partiu com
seus discípulos para os povoados de Cesaréia de Filipe, e no caminho, perguntou
a seus discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” Eles responderam:”João
Batista”; outros, Elias; outros ainda, um dos profetas”. “– E vós, perguntou
ele, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Cristo”.
(Jo 4, 35): “Não dizeis vós: ‘Ainda quatro meses para a colheita?’ Pois
bem, eu vos digo: Erguei vossos olhos e vede os campos: estão brancos para a
colheita”.
(Mt 16, 1-3): “Os fariseus e saduceus vieram até ele e pediram-lhe, para
pô-lo à prova, que lhes mostrasse um sinal vindo do céu. Mas Jesus lhe
respondeu: ‘Ao entardecer dizeis: ‘Vai fazer bom tempo, porque o céu está
avermelhado; e de manhã: Hoje teremos tempestade, porque o céu está de um
vermelho sombrio. O aspecto do céu,sabeis interpretar, mas os sinais dos
tempos, não sois capazes!”.
É Jesus também que na sua imensa
sabedoria, defende os discípulos quando são criticados.
(Mc 2, 18-19; 7, 5-13): “Os discípulos de João e os fariseus jejuavam, e
vieram dizer-lhe: ‘Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus
jejuam, e teus discípulos não jejuam?’ Jesus respondeu: ‘Podem os amigos do
noivo jejuar enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo estiver com eles,
não podem jejuar’”. (...)
“Os fariseus e os escribas o interrogaram: ‘Por que não se comportam os
teus discípulos segundo a tradição dos antigos, mas comem o pão com mão
impuras?’ ele lhes respondeu: ‘Bem profetizou Isaías a respeito de vós,
hipócritas, como está escrito: Este povo
honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Em vão me prestam
culto; as doutrinas que ensinam são apenas mandamentos humanos. Abandonais
o mandamento de Deus, apegando-vos à tradição dos homens’. E dizia-lhes:
‘Sabeis muito bem desprezar o mandamento de Deus para observar a vossa tradição.
Com efeito, Moisés disse: Honra teu pai e
tua mãe, e: Aquele que amaldiçoar pai
ou mãe certamente deve morrer. Vós, porém, dizeis: ‘Se alguém disser a seu
pai ou a sua mãe: os bens com que eu poderia te ajudar são: Corban, isto é, oferta sagrada – vós não
o deixareis fazer mais nada por seu pai ou por sua mãe. Assim, invalidais a
Palavra de Deus pela tradição que transmitistes. E fazeis muitas outras coisas
desse gênero’”.
Pudemos perceber claramente que
Jesus sabia dialogar com aqueles que se diziam sábios e entendidos. Dessa
forma, manifestou que sua sabedoria superava em quantidade e qualidade à
sabedoria meramente humana. Sem sombra de dúvida, podemos afirmar que a
sabedoria que Jesus possuía provinha de seu Pai e que todas as vezes que
respondia, procurava a força do Espírito que nele habitava. O sucesso de seus
ensinamentos, por vezes misteriosos, são ainda hoje estudados, meditados,
desvendados e, em muitos casos, vivenciados. Pessoas de todas as partes do
mundo confiam nas palavras de Jesus para buscar um sentido para suas vidas.
Como o próprio João relata ao final de seu evangelho dizendo que Jesus fez
muito mais e que (assim penso eu) sua sabedoria é superior a de qualquer ser
humano. “Este é o discípulo que dá
testemunho dessas coisas e foi quem as escreveu: e sabemos que o seu testemunho
é verdadeiro. Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez. Se fossem escritas
uma por uma, creio que o mundo não poderia conter os livros que se
escreveriam”. (Jo 21, 24-25). Deus se vale de sinais. Jesus é o mais
perfeito elo entre o ser humano e Deus. É o mais vivo e intenso sinal do amor
divino por nós, isto é, é a sabedoria viva e presente no meio de nós até os
dias de hoje, segundo aquilo que nos prometeu.
“Na realidade, achamos nEle um homem único,
que não se pode comparar a outras figuras da história na tentativa de
compreende-lo. Só se explica e compreende por si próprio”.
“Pelo contrário, Jesus vê os homens tais
como são, com as suas contradições e fraquezas. Chama-os ‘raça má e adúltera’”.
Estas frases remetem a um maior
conhecimento do Mestre naquilo que diz respeito à sua sabedoria. Duas
características a destacar: Jesus é incomparável e onisciente, ou seja, nenhum
ser humano se pode ser comparado ao Mestre e nenhum ser humano possui tamanho
conhecimento dos outros e de si mesmo como o conhecia Jesus.
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