ANÁLISE DA
ADMIRAÇÃO INGÊNUA
(Síntese do texto de Gerd A. Bohrnheim)
A presente síntese tem por objetivo
proporcionar um conhecimento acerca da
questão da admiração ingênua e do ato admirativo, com base no texto do filósofo
Gerd Bohrnheim. É um estudo analítico desenvolvido sob o intuito de favorecer
uma reflexão coerente embasada nos processos filosóficos ligados ao conhecer. A
admiração ingênua ainda não é filosofar, mas é o plano inicial pré-filosófico.
O pano de fundo da assim chamada “Análise da Admiração Ingênua” necessita ser o
questionamento: O que é o conhecer?
A primeira consideração a ser
feita é a de que diante dos fenômenos (aquilo que se manifesta), para o
iniciante em filosofia e mesmo para todo e qualquer filósofo no sentido do
termo, necessita haver a admiração (primeiro passo, passo pré-filosófico). Quem
já não se admira, não tem motivações para desenvolver uma reflexão posterior.
Pois bem, a admiração ingênua pressupõe espontaneidade, é algo que advém
naturalmente, deriva do sentido de abertura. Só é capaz de admirar-se aquele
que é aberto.
Para esclarecer o ato admirativo,
o autor se usa do seu contrário: Sentido antiadmirativo (conformista) e
pessimista (fechado). Aquele que não se admira, mesmo não sabendo, está em uma
situação de contradição, visto que de algo ele necessariamente se admira: a
capacidade que alguém possa ter de admirar-se. A isto podemos chamar de "admiração
pessimista".
→ ADMIRAÇÃO
INGÊNUA ≠ PESSIMISMO INGÊNUO;
Afirmações tais como "nada
há de novo sob o sol" é categórica do pessimista da inteligência. Exemplo
desse pessimismo é o cético (dúvidas acerca do real, recusa do sentido das
coisas), é uma recusa da realidade na busca de sua neutalização. Outro tipo de pessimismo é o da sensibilidade. Neste caso, o indivíduo
sofre a realidade como um mal.
O pessimismo da inteligência
pode ser ingênuo ou agressivo. Segundo ele, nada revela, nada tem sentido. Já o
pessimismo da sensibilidade pode ser copnsiderado ingênuo por seu "plano
pré-crítico", e um "certo grau de apatia".
O pessimismo ingênuo apresenta
comportamento afetado, desconfiança básica e, por isso mesmo, profundamente
negativo da realidade. Na admiração ingênua dá-se o oposto: começa-se a
perceber um sentido neste real, está aberta à realidade que a transcende. Em
outras palavras, é simpática ao que se lhe manifesta. Heidegger chama esse
sentido de abertura de expor-se ao ente, transportar-se ao aberto - (o Eu
Amirante aberto ao ente).
O objeto da admiração: "tudo aquilo que tem força de ser é
passível de admiração". (p.39)
Características da
Admiração Ingênua:
* a afirmação da
realidade compreendida como abertura ("disponibilidade amorosa e
desinteressada"). A distinção que possibilita ao homem a admiração é a
consciência;
* consciência de si;
Características da
Consciência ingênua:
- distância: o
homem sabe-se separado do que o cerca. Distância entre o Eu Admirante e o
admirado; (“O homem não é pura exterioridade”, isso dissolveria a consciência;
“o homem não é também, pura interioridade”, isso faria desaparecer a distância
característica da consciência encarnada). Vale dizer que a consciência pactua
com a exterioridade, mas não se confunde com ela; - (interioridade exterior/
Exterioridade interior);
- experiência da
consciência ingênua: experiência da heterogeneidade; o radicalmente outro, o
diferente, o diferente a si e em si;
A admiração é diferente do
pasmo, uma vez que este proporciona confusão. É diferente também da surpresa,
mesmo que esta se pareça com a admiração por suprimir a indecisão e a indistinção.
No entanto, surpresa para ser surpresa necessita haver algo imprevisto.
A admiração ingênua é
importante para a posterior reflexão filosófica, mas ela em si ainda não é
filosófica. Como dizíamos anteriormente, ela é pré-filosófica.
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