terça-feira, 24 de janeiro de 2012

ENSAIO FILOSÓFICO


ANÁLISE DA ADMIRAÇÃO INGÊNUA

                                                                                              (Síntese do texto de Gerd A. Bohrnheim)

                 A presente síntese tem por objetivo proporcionar  um conhecimento acerca da questão da admiração ingênua e do ato admirativo, com base no texto do filósofo Gerd Bohrnheim. É um estudo analítico desenvolvido sob o intuito de favorecer uma reflexão coerente embasada nos processos filosóficos ligados ao conhecer. A admiração ingênua ainda não é filosofar, mas é o plano inicial pré-filosófico. O pano de fundo da assim chamada “Análise da Admiração Ingênua” necessita ser o questionamento: O que é o conhecer?
               A primeira consideração a ser feita é a de que diante dos fenômenos (aquilo que se manifesta), para o iniciante em filosofia e mesmo para todo e qualquer filósofo no sentido do termo, necessita haver a admiração (primeiro passo, passo pré-filosófico). Quem já não se admira, não tem motivações para desenvolver uma reflexão posterior. Pois bem, a admiração ingênua pressupõe espontaneidade, é algo que advém naturalmente, deriva do sentido de abertura. Só é capaz de admirar-se aquele que é aberto.
              Para esclarecer o ato admirativo, o autor se usa do seu contrário: Sentido antiadmirativo (conformista) e pessimista (fechado). Aquele que não se admira, mesmo não sabendo, está em uma situação de contradição, visto que de algo ele necessariamente se admira: a capacidade que alguém possa ter de admirar-se. A isto podemos chamar de "admiração pessimista".
                             → ADMIRAÇÃO INGÊNUA ≠ PESSIMISMO INGÊNUO;
               Afirmações tais como "nada há de novo sob o sol" é categórica do pessimista da inteligência. Exemplo desse pessimismo é o cético (dúvidas acerca do real, recusa do sentido das coisas), é uma recusa da realidade na busca de sua neutalização.  Outro tipo de pessimismo é  o da sensibilidade. Neste caso, o indivíduo sofre a realidade como um mal.
               O pessimismo da inteligência pode ser ingênuo ou agressivo. Segundo ele, nada revela, nada tem sentido. Já o pessimismo da sensibilidade pode ser copnsiderado ingênuo por seu "plano pré-crítico", e um "certo grau de apatia".
              O pessimismo ingênuo apresenta comportamento afetado, desconfiança básica e, por isso mesmo, profundamente negativo da realidade. Na admiração ingênua dá-se o oposto: começa-se a perceber um sentido neste real, está aberta à realidade que a transcende. Em outras palavras, é simpática ao que se lhe manifesta. Heidegger chama esse sentido de abertura de expor-se ao ente, transportar-se ao aberto - (o Eu Amirante aberto ao ente).
              O objeto da admiração:  "tudo aquilo que tem força de ser é passível de admiração". (p.39)


Características da Admiração Ingênua:

* a afirmação da realidade compreendida como abertura ("disponibilidade amorosa e desinteressada"). A distinção que possibilita ao homem a admiração é a consciência;
* consciência de si;

Características da Consciência ingênua:

- distância: o homem sabe-se separado do que o cerca. Distância entre o Eu Admirante e o admirado; (“O homem não é pura exterioridade”, isso dissolveria a consciência; “o homem não é também, pura interioridade”, isso faria desaparecer a distância característica da consciência encarnada). Vale dizer que a consciência pactua com a exterioridade, mas não se confunde com ela; - (interioridade exterior/ Exterioridade interior);
- experiência da consciência ingênua: experiência da heterogeneidade; o radicalmente outro, o diferente, o diferente a si e em si;
                           
                     A admiração é diferente do pasmo, uma vez que este proporciona confusão. É diferente também da surpresa, mesmo que esta se pareça com a admiração por suprimir a indecisão e a indistinção. No entanto, surpresa para ser surpresa necessita haver algo imprevisto.
                   A admiração ingênua é importante para a posterior reflexão filosófica, mas ela em si ainda não é filosófica. Como dizíamos anteriormente, ela é pré-filosófica.

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