Desafios da Evangelização nas
Circunstâncias Atuais
A Igreja tem um percurso bastante interessante nesses séculos de
história. O que mais impressiona, no entanto, é a dinâmica e a coragem dos primeiros cristãos que não se
intimidaram frente às dificuldades do caminho. Exemplo disso são as comunidades
cristãs que se formavam e que eram perseguidas pelo sistema governamental.
Desses tempos, se nos apresenta uma lista incontável de mártires que, por amor
à causa do Reino, derramaram o seu sangue.
Os Apóstolos, aos quais coube a sublime missão de fazer discípulos do
Mestre “todos os povos” (Mt 28, 19), enfrentaram inúmeras dificuldades no que
diz respeito ao processo de evangelização de judeus e, até mesmo, de pagãos.
Evangelizar onde tudo é bem aceito é um processo fácil, mas evangelizar onde a
consciência está anestesiada por uma cultura impregnada de uma falsa idéia de
Deus e da sua proposta, torna-se quase impossível, primeiro por que as pessoas
estão fechadas à Boa Nova e, depois, por que às vezes essas mesmas pessoas
exerciam funções de poder social e poderiam acabar dizimando todos os que
porventura se mantivessem hostis às decisões do governo vigente. Nesse contexto
de medo e insegurança nasceram as primeiras comunidades cristãs. Comunidades
essas que adquiriram uma característica heróica, visto que não se deixaram
levar pelo medo, mas confiaram na assistência do Espírito Santo.
Nos tempos atuais, e de modo especial na nossa cultura ocidental, o
cristianismo é aceitável, mas não praticado. É presente, mas contestado. É
parte da sociedade, mas desrespeitado. Poderíamos dizer que a consciência das
pessoas tornou-se uma consciência mesquinha, de aparências. Fazendo uso do
lúdico, poderíamos dizer que a vida em sociedade tornou-se um constante
suportar. Suportar para parecer concordar. Suportar em meio a sorrisos para não
agredir. Mascarar a verdade é justamente o pecado mais grave de nossa
sociedade. Por esse motivo, o campo de evangelização torna-se bem mais
abrangente.
Nós como fazedores do evangelho nas circunstâncias atuais temos uma
oportunidade de testemunharmos Jesus mesmo entre sombras. São constantes
ataques a serem combatidos e más interpretações a serem corrigidas. São
ideologias a serem desmascaradas e correntes de pensamentos a serem extirpados.
A perseguição tornou-se sutil. Hoje já não temos tanto perigo em termos de
exposição pública da fé, mas temos outros desafios. Talvez a falha da evangelização
seja que formamos profissionais e a eles atribuímos o nome de “cristãos”, mas
deixamos de lado a formação de consciências cristãs. Não basta legarmos uma
religião.Temos que legar uma consciência religiosa que mexa com princípios
pessoais. Uma consciência que mexa com as convicções. Não podemos deixar nossa
fé a mercê de ataques sem fundamento. Hoje qualquer pessoa de doutrinas as mais
diversas convence um cristão católico de que a verdade é tudo menos aquilo que
a Igreja ensina como verdade fundamental. Ora, isso não é uma forma de
perseguição? E os que conhecem Cristo (ou dizem que o conhecem) ficam sentados
em casa, comendo biscoitos e tomando café na frente da tv ou do computador.
Nosso maior desafio é o desacomodar para podermos formar consciências. Se
permitirmos, a acomodação vai gerar profissionais e os profissionais vão gerar
desinformados e deformados, e assim por diante numa cadeia interminável de
grande lixo cristão. (Lixo cristão, entenda-se bem, é o profissionalismo cristão
que se contenta em cumprir preceitos unicamente). Aí está o desfio da
atualidade: lançarmos fora o lixo cristão. Precisamos de auto-formação,
formação de consciências cristãs sadias. O desafio de entender Jesus como a
verdade única da vida e, n’Ele a sua Igreja. Grande tarefa a ser cumprida!
Por fim, faz-se importante determinarmos os aspectos acima citados para
fomentar o espírito missionário que muitas comunidades já renovaram com
impressionante fervor. Nossa missão como nos tempos dos primeiros cristãos é
levarmos Jesus Cristo. No entanto, não podemos fugir da realidade. Pés no chão
e olhos no Alto. Vamos em busca de uma comunidade cristã mais autêntica, que
não se amedronte frente aos desafios. Vamos em busca da formação de
consciências, de pessoas, de vidas, de princípios cristãos. Eis o sonho de todo
bom evangelizador nas novas circunstâncias. Eis o nosso sonho!
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