terça-feira, 24 de janeiro de 2012


Desafios da Evangelização nas Circunstâncias Atuais

A Igreja tem um percurso bastante interessante nesses séculos de história. O que mais impressiona, no entanto, é a dinâmica e a  coragem dos primeiros cristãos que não se intimidaram frente às dificuldades do caminho. Exemplo disso são as comunidades cristãs que se formavam e que eram perseguidas pelo sistema governamental. Desses tempos, se nos apresenta uma lista incontável de mártires que, por amor à causa do Reino, derramaram o seu sangue.
Os Apóstolos, aos quais coube a sublime missão de fazer discípulos do Mestre “todos os povos” (Mt 28, 19), enfrentaram inúmeras dificuldades no que diz respeito ao processo de evangelização de judeus e, até mesmo, de pagãos. Evangelizar onde tudo é bem aceito é um processo fácil, mas evangelizar onde a consciência está anestesiada por uma cultura impregnada de uma falsa idéia de Deus e da sua proposta, torna-se quase impossível, primeiro por que as pessoas estão fechadas à Boa Nova e, depois, por que às vezes essas mesmas pessoas exerciam funções de poder social e poderiam acabar dizimando todos os que porventura se mantivessem hostis às decisões do governo vigente. Nesse contexto de medo e insegurança nasceram as primeiras comunidades cristãs. Comunidades essas que adquiriram uma característica heróica, visto que não se deixaram levar pelo medo, mas confiaram na assistência do Espírito Santo.
Nos tempos atuais, e de modo especial na nossa cultura ocidental, o cristianismo é aceitável, mas não praticado. É presente, mas contestado. É parte da sociedade, mas desrespeitado. Poderíamos dizer que a consciência das pessoas tornou-se uma consciência mesquinha, de aparências. Fazendo uso do lúdico, poderíamos dizer que a vida em sociedade tornou-se um constante suportar. Suportar para parecer concordar. Suportar em meio a sorrisos para não agredir. Mascarar a verdade é justamente o pecado mais grave de nossa sociedade. Por esse motivo, o campo de evangelização torna-se bem mais abrangente.
Nós como fazedores do evangelho nas circunstâncias atuais temos uma oportunidade de testemunharmos Jesus mesmo entre sombras. São constantes ataques a serem combatidos e más interpretações a serem corrigidas. São ideologias a serem desmascaradas e correntes de pensamentos a serem extirpados. A perseguição tornou-se sutil. Hoje já não temos tanto perigo em termos de exposição pública da fé, mas temos outros desafios. Talvez a falha da evangelização seja que formamos profissionais e a eles atribuímos o nome de “cristãos”, mas deixamos de lado a formação de consciências cristãs. Não basta legarmos uma religião.Temos que legar uma consciência religiosa que mexa com princípios pessoais. Uma consciência que mexa com as convicções. Não podemos deixar nossa fé a mercê de ataques sem fundamento. Hoje qualquer pessoa de doutrinas as mais diversas convence um cristão católico de que a verdade é tudo menos aquilo que a Igreja ensina como verdade fundamental. Ora, isso não é uma forma de perseguição? E os que conhecem Cristo (ou dizem que o conhecem) ficam sentados em casa, comendo biscoitos e tomando café na frente da tv ou do computador. Nosso maior desafio é o desacomodar para podermos formar consciências. Se permitirmos, a acomodação vai gerar profissionais e os profissionais vão gerar desinformados e deformados, e assim por diante numa cadeia interminável de grande lixo cristão. (Lixo cristão, entenda-se bem, é o profissionalismo cristão que se contenta em cumprir preceitos unicamente). Aí está o desfio da atualidade: lançarmos fora o lixo cristão. Precisamos de auto-formação, formação de consciências cristãs sadias. O desafio de entender Jesus como a verdade única da vida e, n’Ele a sua Igreja. Grande tarefa a ser cumprida!
Por fim, faz-se importante determinarmos os aspectos acima citados para fomentar o espírito missionário que muitas comunidades já renovaram com impressionante fervor. Nossa missão como nos tempos dos primeiros cristãos é levarmos Jesus Cristo. No entanto, não podemos fugir da realidade. Pés no chão e olhos no Alto. Vamos em busca de uma comunidade cristã mais autêntica, que não se amedronte frente aos desafios. Vamos em busca da formação de consciências, de pessoas, de vidas, de princípios cristãos. Eis o sonho de todo bom evangelizador nas novas circunstâncias. Eis o nosso sonho!

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