Semana Vocacional: Serviço, Partilha, Aprendizagem
Nas andanças de minha vida, mais um episódio merece um destaque: a dita “semana vocacional”. Que agradável foi a experiência e quantas recordações se me ficaram impressas! Talvez por que esse evento tenha sido único no ano até o presente momento, ou mesmo, por que o local escolhido para desenvolvermos a atividade, município de Charqueadas, tenha favorecido para dispensar um maior afeto ao episódio. Cito como possível fator de destaque o local escolhido, não por que já conhecesse anteriormente o município ou por que tivesse algum vínculo familiar ou de amizade lá, mas por que, desde o princípio, senti-me muito bem recebido na casa da família na qual me hospedei. Sinceramente falando, achei que fui melhor recebido ali que em casa de alguns parentes meus.
Semana cheia: orações, trabalho de promoção vocacional, refeições nas comunidades, missas, visitas às escolas, convivência na família que me acolheu, conhecimento de novas pessoas, tudo isso é o que posso sintetizar como sendo a experiência de “semana vocacional”. Friso que o intuito maior, além de pura e simplesmente promover um conhecimento efetivo das mais diversas vocações, era, também, fazer o convite e manifestar apoio à ordenação diaconal do sr. Paulo Ricardo Leite. Nessas circunstancias, tornei-me seu amigo e de sua família.
Relembrando os episódios mais significativos, merece especial referência uma figura ilustre: a “Tia Cláudia”. Esta acompanhou a equipe na qual eu estava trabalhando. Ela é uma leiga muito engajada e durante toda a semana se fez presente nos três turnos para o serviço de animação vocacional. O que me surpreendeu na “Tia Cláudia” foi o seu histórico de vida bastante conturbado. Estando à mesa para o jantar na quinta feira à noite, ela partilhou comigo a vida difícil que tivera quando criança em razão dos problemas de convivência entre a sua mãe e o padrasto (lembrando-se aqui que seu pai falecera novo; enforcou-se em virtude de uma esquizofrenia). Mas o que mais me surpreendeu é que qualquer pessoa que convive com a ela, sente a alegria que transmite. Qualquer pessoa que observa sua relação com seus filhos e seu marido, jamais diria que esta mesma mulher teria passado por experiências de tamanho impacto. Hoje ela é uma mulher alegre, com cinco filhos bem educados e felizes. Está bem resolvida financeiramente. Que curioso não é? Pois é, vivendo e aprendendo.
Por fim, quero dizer que a “semana vocacional” foi formidável não por que eu ensinei a alguém algo sobre vocação, mas por que pude compartilhar de momentos com pessoas que me ensinaram algo de novo: a alegria da vida, a superação, a aprendizagem, mesmo nas circunstâncias que poderiam motivar certo descrédito da vida, desconfiança constante, tristeza permanente. Aprendi que se faz necessária uma maturidade para entender que é mais feliz aquele que aproveita o ensinamento provindo das dificuldades. De fato, é preciso aprender com os obstáculos e não apenas supera-los.
Davi Jonas Dietrich
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