terça-feira, 24 de janeiro de 2012

CRÔNICA

Aos leitores, solicito desculpas pelo atrevimento de relatar em crônica uma experiência de minha vida. Mas julgo particularmente importante valorizar um trabalho que desenvolvi quando estava no Propedêutico, em Gravataí, Seminário São José, Arquidiocese de Porto Alegre. Trabalho solicitado pela então professora de Português, Maria Janete Schreiber do Nascimento. (31/08/2010).



Semana Vocacional: Serviço, Partilha, Aprendizagem


Nas andanças de minha vida, mais um episódio merece um destaque: a dita “semana vocacional”. Que agradável foi a experiência e quantas recordações se me ficaram impressas! Talvez por que esse evento tenha sido único no ano até o presente momento, ou mesmo, por que o local escolhido para desenvolvermos a atividade, município de Charqueadas, tenha favorecido para dispensar um maior afeto ao episódio. Cito como possível fator de destaque o local escolhido, não por que já conhecesse anteriormente o município ou por que tivesse algum vínculo familiar ou de amizade lá, mas por que, desde o princípio, senti-me muito bem recebido na casa da família na qual me hospedei. Sinceramente falando, achei que fui melhor recebido ali que em casa de alguns parentes meus.
Semana cheia: orações, trabalho de promoção vocacional, refeições nas comunidades, missas, visitas às escolas, convivência na família que me acolheu, conhecimento de novas pessoas, tudo isso é o que posso sintetizar como sendo a experiência de “semana vocacional”. Friso que o intuito maior, além de pura e simplesmente promover um conhecimento efetivo das mais diversas vocações, era, também, fazer o convite e manifestar apoio à ordenação diaconal do sr. Paulo Ricardo Leite. Nessas circunstancias, tornei-me seu amigo e de sua família.
Relembrando os episódios mais significativos, merece especial referência uma figura ilustre: a “Tia Cláudia”. Esta acompanhou a equipe na qual eu estava trabalhando. Ela é uma leiga muito engajada e durante toda a semana se fez presente nos três turnos para o serviço de animação vocacional. O que me surpreendeu na “Tia Cláudia” foi o seu histórico de vida bastante conturbado. Estando à mesa para o jantar na quinta feira à noite, ela partilhou comigo a vida difícil que tivera quando criança em razão dos problemas de convivência entre a sua mãe e o padrasto (lembrando-se aqui que seu pai falecera novo; enforcou-se em virtude de uma esquizofrenia). Mas o que mais me surpreendeu é que qualquer pessoa que convive com a ela, sente a alegria que transmite. Qualquer pessoa que observa sua relação com seus filhos e seu marido, jamais diria que esta mesma mulher teria passado por experiências de tamanho impacto. Hoje ela é uma mulher alegre, com cinco filhos bem educados e felizes. Está bem resolvida financeiramente. Que curioso não é? Pois é, vivendo e aprendendo.
Por fim, quero dizer que a “semana vocacional” foi formidável não por que eu ensinei a alguém algo sobre vocação, mas por que pude compartilhar de momentos com pessoas que me ensinaram algo de novo: a alegria da vida, a superação, a aprendizagem, mesmo nas circunstâncias que poderiam motivar certo descrédito da vida, desconfiança constante, tristeza permanente. Aprendi que se faz necessária uma maturidade para entender que é mais feliz aquele que aproveita o ensinamento provindo das dificuldades. De fato, é preciso aprender com os obstáculos e não apenas supera-los.

                                                                                                                              Davi Jonas Dietrich

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