INTRODUÇÃO
A catequese é, por excelência, o meio mais eficaz da ação evangelizadora em todos os períodos da História da Igreja. Isso porque a catequese tem a função de iluminar a razão humana de tal modo que ela possa compreender a vida e os ensinamentos de Cristo, bem como a doutrina da Igreja. Por esse motivo, a catequese não está restrita aos encontros que preparam as crianças e os jovens para receberem os Sacramentos. Seria correto, portanto, afirmar que a vida de fé e o estar inserido em uma comunidade são fontes de apreensão das coisas de Deus, logo, são catequese!
O documento de Aparecida quando nos propõem com o Mestre um encontro que, por sua vez, nasce da experiência de Deus, quer dizer, na verdade, que ao depararmo-nos com a Palavra e a Doutrina, isso se quisermos ser fiéis a Deus, necessitamos responder generosamente. Essa resposta se traduz em obras. Obras essas que nada mais são do que a prática de tudo aquilo que provém da mesma Palavra e Doutrina. Esse processo de escuta, apreensão e generosidade de resposta é o que chamamos de catequese eficaz. “Catequese” aqui entendida como anúncio e “eficaz” como resposta generosa.
Por fim, é importante dizer que somos convidados a responder generosamente ao Chamado que Deus nos faz. Isso por que a missão da catequese é o “querigma”, o primeiro anúncio. Anúncio-convite à santidade.
Parte I – A Revelação Divina.
Antes de compreendermos a importância da catequese como meio de evangelização, precisamos verificar a questão da Revelação de Deus. Ao estudarmos e aprofundarmos o tema, perceberemos que na Sagrada Escritura está presente de modo completo a Revelação que por sua vez é transmitida e esclarecida pelo Magistério. Diz-se que na Sagrada Escritura está contido o próprio Deus. Sua Vontade, seus desígnios, seu plano de Amor e o convite à Santidade. No entanto, a proposta de Deus não fere a liberdade do homem. Deus o fez livre e por esse motivo fê-lo à “sua imagem e semelhança”.
Para compreendermos o significado da Escritura Sagrada e Revelação, segue-se uma citação do livro “Sou católico, vivo a minha fé” da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): “Sagrada Escritura é o conjunto dos Escritos judaicos (Antigo Testamento = AT) e cristãos (Novo Testamento = NT). O termo Testamento significa “Aliança”, já a palavra Bíblia, é uma palavra de origem grega e significa “livros”. (...) “O Antigo Testamento é chamado de Antiga Aliança, pois narra a aliança feita por Deus com Abraão, Isaac, Jacó e José, os Patriarcas do Povo de Deus e, posteriormente, com Moisés e todo o Povo, liberto da escravidão do Egito.” (...) No Novo Testamento “Deus toma iniciativa de comunicar sua presença, entrando na história dos homens por meio do Filho enviado ao mundo. Este é o instante decisivo para a vida e a história do mundo. Deus nasce em Belém, revela-se na história dos homens como o Messias esperado pelo AT, e com seus discípulos inaugura um novo tempo por suas palavras e ações”.
Como vimos, Deus na sua infinita bondade e misericórdia quis, por sua própria iniciativa, manifestar-se ao homem em um longo processo chamado “Historia da Salvação”. Diversos personagens fizeram parte desse processo bem como diversos modos de proceder do Povo de Deus. Desta forma, poderíamos dizer que a catequese meramente entendida como “encontros” (como é definida em várias comunidades), é uma mesquinhez frente à sua máxima expressão que se encontra na vida e no proceder.
Deus é o catequista por excelência. É a própria vida e influencia no modo de proceder das pessoas. Quer ser exemplo a ser seguido por meio de Jesus. Por esse motivo, entendemos o catequista como alguém do povo que vivencia os acontecimentos hodiernos e procede segundo sua própria convicção e crença na Verdade Revelada.
A catequese deve ser um constante convite ao encontro pessoal com a fonte reveladora, com o “Senhor e Juiz da história” com o “Pai Nosso”. Encontro esse que manifesta demasiadamente o “querigma”, primeiro anúncio, fervor na ação. Esse Deus, fonte da vida quer atuar por meio dos seus, escolhidos previamente. E quem são os seus? Todos nós! Todos fomos chamados por Deus à existência e por isso somos anunciadores natos da Verdade contida em cada ser que habita esse planeta. Somos pequenos mananciais que apontam para o “Mar da Vida”.
“No centro da catequese encontramos essencialmente uma Pessoa, a de Jesus de Nazaré. Filho único do Pai..., que sofreu e morreu por nós e agora, ressuscitado, vive conosco para sempre...Catequizar...é desvendar na Pessoa de Cristo todo desígnio eterno de Deus que nela se realiza. É procurar compreender o significado dos gestos e das palavras de Cristo e dos sinais realizados por Ele”. Catechese Tradendae (CT 5).
“A finalidade definitiva da catequese é: ‘levar à comunhão com Jesus Cristo: só ele pode conduzir ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar da vida da Santíssima Trindade”. Catecismo da Igreja Católica (CIC 426).
Parte II – “Catequese Renovada”, Meio Eficaz de Evangelização:
Depois de estudarmos as propriedades da Revelação divina, entraremos em um tema bastante típico da evangelização em massa. É a chamada “catequese renovada”. Deixemos claro, porém, que não há nenhuma oposição ao sistema catequético vigente, porém queremos apenas convidar aos que acompanham o desenvolvimento deste trabalho, a um aprofundamento do conceito “catequese”.
Entendendo um pouco a partir do que vimos a respeito de Revelação, chegamos à definição de um novo conceito de catequese. Assim sendo, a catequese não é meramente um momento de aprendizagem passageiro que visa unicamente à “formatura” da eucaristia, à “formatura” da crisma. Catequese é Vida. Modos de proceder condizentes à minha convicção.
“A missão catequética não se improvisa e nem fica ao sabor do imediatismo ou do gosto de uma pessoa. Catequese é uma ação da Igreja e um projeto assumido pela comunidade, como um ‘processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da fé’”. Diretório Nacional Catequético (DNC 319) e documento Catequese Renovada (CR 318).
“A catequese precisa de uma organização apropriada para responder às situações e realidades diversificadas das comunidades e que seja integrada na pastoral orgânica, para evitar a dispersão de forças”. “Ela será eficaz se a comunidade, paróquia e diocese tiverem um projeto de evangelização” (DNC 320).
Como vimos, a catequese é eficaz se nos esforçamos em um verdadeiro projeto de evangelização que se mede principalmente pelas atitudes, pela prática das virtudes cristãs no cotidiano. É o esforço no testemunho de vida e a força conquistada mediante a vivência de uma reforçada espiritualidade.
O papa João Paulo II lembra aos bispos no Documento Catechesi Tradendae de que a catequese deve ser mais do que os conhecidos encontros de preparação para recepção de um sacramento. Deve ser algo inerente à vida, às atividades, deve ser o exercício do cristianismo. Segue a citação: “Senhores bispos, que a preocupação em promover uma catequese ativa e eficaz não ceda nada frente a qualquer outra preocupação seja ela qual for. O Vosso papel principal deve ser o de suscitar e alimentar nas vossas Igrejas uma verdadeira paixão pela catequese. Uma paixão, porém, que encarne numa organização adaptada e eficaz, e empenhe na atividade as pessoas, os meios e os instrumentos e também os recursos financeiros. Podeis ter a certeza disso: se a catequese for bem feita nas vossas Igrejas locais, tudo o mais será feito com maior facilidade. Por outro lado, se o vosso zelo tiver de vos impor algumas vezes a tarefa ingrata de denunciar desvios, corrigir erros, ele deve proporcionar-vos muito mais frequentemente a alegria e a consolação de ver as vossas Igrejas florescentes, porque a catequese aí é dada como o quer o Senhor”. (CT 63).
Desta forma, podemos conceber a ideia de que somos portadores de um grande tesouro. Temos a fé transmitida vivamente pelos tantos “catequistas” que nos circundam. Estes,os “catequistas” por sua vez são aqueles que, unidos às convicções pessoais, nos inspiram a sermos também nós, catequistas no sentido mais profundo do termo: transmissores da Realidade que é Deus, portadores do fervor querigmático, praticantes das virtudes cristãs.
“No Novo Testamento o termo ‘catequese’ significa dar uma instrução a respeito da fé. Em sua origem o termo se liga a um verbo que sigifica ‘fazer ecoar’ (Kat-ekhéo). A catequese, de fato, tem por objetivo último fazer escutar e repercutir a Palavra de Deus”. (CR, 31).
“Levar a comunhão com Jesus Cristo. Só ele pode conduzir ao amor do Pai. Portanto, aquele que é chamado a ensinar o Cristo deve conhece-lo. É desse conhecimento de Cristo que jorra o desejo de anuncia-lo, de evangelizar e de levar outro ao ‘sim’ da fé em Jesus”. Catecismo da Igreja Católica (CIC 428 e 429)..
Parte III – Significados Diversos da Catequese
A catequese pode ser entendida de diversas maneiras, quatro mais precisamente. Portanto, podemos dizer que é extremamente reducionista e simplório chamar “catequese” unicamente os encontros preparativos para recepção de um sacramento.
Catequese:
1. Iniciação à fé e vida na comunidade: Significa que mediante recepção do batismo, passamos a integrar a comunidade de fé;
2. Como processo de imersão na cristandade: consiste na vivência que assume todo batizado uma vez integrado na comunidade;
3. Instrução: aqui sim podemos dizer que são os encontros que antecedem e buscam preparar o catequizando que uma vez integrado na comunidade, busca crescimento na mesma e uma mais profunda vivência de seu cristianismo;
4. Como educação permanente para a comunhão e participação na comunidade de fé: é importante dentro da mística do cristianismo a perseverança nas virtudes adquiridas dentro dos passos que antecedem a este. Isto é, Uma vez iniciados, imersos na comunidade e buscando aprofundamento no cristianismo, nos é colocada essa outra visão de catequese: comunhão e participação que consistem na perseverança dos passos catequéticos antecedentes.
Referências Bibliográficas:
Mincato, RAMIRO (1ª edição). Vol 1. CATEQUISTAS DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS, 2009;
CNBB (2ª edição). Vol 1. SOU CATÓLICO VIVO MINHA FÉ, 2007;
Vaticano II, CONCÍLIO (13ª edição). Vol 1. Const. Dogm. sobre a Revelação Divina, DEI VERBUM, 1965;
Católica, CATECISMO DA IGREJA (CIC). Edição da Vozes, 1993;
Pastorais, DIRETRIZES. (2009) DIOCESE DE NOVO HAMBURGO;
CONCLUSÃO
Tendo estudado e aprofundado questões relacionadas à catequese, chegamos à conclusão que, de fato, ela é um meio de evangelização eficaz, uma vez que compreendida a sua importância. Tanto o é que por ser a catequese entendida por diversos significados, percebemos a amplitude do tema.
Além disso, procuramos neste trabalho, dar ênfase a novos conceitos de catequese, dentre os quais destacamos a “catequese renovada”. É preciso re-aprendermos a necessidade de uma catequese caracterizada pelo espírito evangelizador dos primeiros discípulos: revivermos o “querigma”, o primeiro anúncio.
Esperamos que esse trabalho possa ser um subsídio auxiliar quanto a questão do verdadeiro sentido da catequese. Que este trabalho possa ser, também, um meio de compreensão do tema e da importância de uma renovação catequética com base na Palavra de Deus.
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