Frente ao convite que emana do episcopado latino americano e caribenho, constante no Documento de Aparecida, o de sermos missionários de forma permanente, sentimo-nos, por vezes, sob aquela mesma tensão do profeta frente à proposta de Deus: "Ah, Senhor, nem sei falar, pois que sou apenas uma criança"(Jr 1, 6). Com efeito, diante dos desafios da Missão, facilmente poderemos encontrar-nos em situação de temor. Talvez, isso se justifique pela ainda não total confiança no Espírito de Deus.
Discípulos-Missionários de Jesus Cristo, eis a máxima que circula pelos púlpitos da Igreja no Brasil e que tem chamado a atenção devido à sua audácia. Estado Permanente - eis aqui nossa maior dificuldade. Estado permanente requer disponibilidade de tempo. Daí o motivo pelo qual a proposta é audaciosa. causa-nos alegria perceber que em diversas dioceses do Brasil, surgem iniciativas de evangelização. No entanto, doutra parte, preocupa-nos a ausência de ação em outras dioceses. É tempo de Missão! Que faremos?
Ao apelo de Cristo de torná-lo conhecido e amado por todos os seres humanos, qual nossa posição? A de meros ouvintes? Isso nos deveria inquietar. Esperamos sinceramente que o Documento de Aparecida suscite ainda mais iniciativas (oxalá que em toda a parte). Esperamos, também, que o mesmo não se torne um simples levantamento de dados ou uma retórica inssossa.
Algumas dicas para uma missão efetiva:
1 - encontrar agentes de pastoral com disponibilidade de tempo para o serviço missionário;
2 - torná-los de discípulos (ouvintes e aprendizes) a missionários (evangelizadores), a partir de um plano formativo orgânico e conínuo;
3 - torná-los extremamente confiantes na palavra do Senhor, de que esta obra não é do Discípulo, mas do Mestre - "Se o Senhor não construir a nossa casa, em vão trabalharão seus construtores. Se o Senhor não vigiar nossa cidade, em vão vigiarão as sentinelas" (Sl 126-127, 1).
Sem. Davi Jonas Dietrich - Arquidiocese de Porto Alegre/RS.